AUTÓGRAFO DE DEUS

Só procura quem ainda não achou.
Quem já achou, eu acho, não procura mais.
Quem já achou passa a viver a vida em paz.
Esquece o que sofreu, pois já ficou pra trás.

O amor é a mais saudável das loucuras.
É a estrutura que faz frente aos vendavais.
Se um coração que se rasgou, ele costura,
é impossível saber do que ele é capaz!

Só procura quem ainda não achou.
Quem já achou, eu acho, não procura mais.
Quem já achou não tem “porém”, “contudo” ou “mas”.
Só tem a agradecer o que a vida lhe traz...

Criado o mundo, Deus o fez de assinatura.
O Amor nos emociona com coisas banais.
A imperfeição se torna linda escultura.
Se não achou o seu, meu caro, corra atrás!



CALMARIA

Uma tarde, após a tempestade,
esconde um desejo,
intensa vontade de amar...
Traz as folhas que foram para o mar
e mesmo a natureza se encarregou de recusar.

Traz o sol colorindo as gotas num coqueiro,
a varanda e um colo, como travesseiro;
Traz, no rádio, o lamento de um violeiro;
seu cabelo molhado... seu cheiro!!!

Uma tarde, após a tempestade,
carrega consigo
o que a gente quer de verdade.
Traz alguns momentos de sossego,
sombra, água fresca e tranqüilidade.

... O sol colorindo as gotas num coqueiro,
a varanda e um colo, como travesseiro.
Traz, no rádio, o lamento de um violeiro;
seu cabelo molhado... seu cheiro!!!


CANTO DE REFLEXÃO

Beira de rio, milhões de estrelas,
cheiro de mato e um violão.
Lua crescente, o som da nascente,
a paz inspirando a canção.

Fruto fresco no cacho...
Ah, como eu me encaixo
nessa mansidão.
Fogão de lenha, a janta no tacho,
tempero apanhado no chão.

Beira de rio, varanda
e um facho de luz
vindo de um lampião.
Brisa leve em minha face,
como se o Criador me acarinhasse.

Rede armada debaixo da copa
de um imenso pé de jambolão.
E a pessoa amada, ao lado,
de alma lavada em paixão.


CHEIRO DE FÉRIAS

Flores com cheiro de férias na casa da avó...
Avó com suas caras sérias... de afeto... de dó!
Hoje, o quintal encolheu...
Quem era criança cresceu...
Lá onde eu reencontro o verdadeiro eu!
A bola que ia pro vizinho,
a cantoria no caminho...
A manga, o pé de pitanga...
A inesquecível farra num dia em que choveu.
O esmagar das uvas pra fazer bom vinho,
da bela toada entoada ao pinho,
do brinquedo improvisado,
com um velho pneu!...
Depois do esconde-esconde
Ninguém mais se achou, aquilo se perdeu!.

COMO UMA VELHA CANÇÃO

A alegria de viver reside no poder
de espalhar bons sentimentos no ar
quem faz o bem, vê o bem voltar...

É morar de frente para o mar
não ter hora pra acordar,
ver pessoas brincando e sonhar...

Descansar à sombra de uma árvore,
como dizia a canção...
É seguir somente, o que manda coração!

Viver melhor o presente
e recordar no futuro um passado melhor
Enquanto criança, abusar das cores,
na juventude, de aventuras e amores
e jamais, jamais... deixar de cantar
DE BEM COM A VIDA

Uma incansável busca ao intenso prazer...
Razão pra se viver!
Uma carícia, um beijo
na pessoa amada
Viajar às vezes, pôr o pé na estrada...
Tentar descobrir a cor,
o cheiro, a magia e os mistérios
que existem no amor

Dançar abraçadinho, um bom vinho...
Dar e receber um afago, um carinho!...
É a visão de um gol
em meio à arquibancada,
contemplar estrelasnuma madrugada
Sugar todo o mel da flor,
que a vida às vezes deixa ao dispor!

HORÁRIO GRATUITO

Tirei meus fones de ouvido e constatei:
o som dos parques é bem mais agradável.
Trilha sonora daquele colorido,
Águas e aves com seu canto incansável.

Tornando a ouvir, tudo ficou mais visível,
e eu pude definir o que é estar tranquilo.
E o melhor, gratuito, ali disponível...
A quem quiser desfrutar de tudo aquilo.

Tirei meus fones de ouvido
e esse simples ato trouxe para mim a certeza,
o que nos chega concentrado em fios é ruído,
o som mais lindo é o que vem da natureza








NOSTALGIA

Falo da infância...
Falo do cheiro da fruta na feira,
da fieira do pião,
do ferimento feito em beira de riacho!
Falo da infância...
Falo das fotos sem fadiga e sem olheira,
da fogueira de São João,
da felicidade em cacho!
Falo da infância...
De uma fulana futrico-mexeriqueira,
conversando no portão:
“falo!”, “macho!”
Perdão!
Se por acaso, com o que falo,
sentires na íris, o cair de uma lágrima...
Eu falarei mais baixo!







O "DIACHO" EM PESSOA

Do mato, não restou nem cheiro.
E, quanto ao cajueiro,
qual seu paradeiro exato?!...
Desastre, fogo não se limitou no aceiro,
devastando alqueires
“...tudo a três por quatro!”
Gritar “desisto!”,
o beija-flor o fez primeiro,
achando que bancar bombeiro
ficou muito chato.
Logo em seguida, em estado de destempero,
com remorsos e arrependido,
quis dar seu relato...
No desespero, confundiu “fundura” e beira,
meio com inteiro, ditongo com hiato
Mas um abutre, prevendo um banquete,
“inté” foi companheiro da avezinha
(Vixi, aumentou-se o espalhafato!!!).
Jogou a culpa sobre um “véio” fazendeiro,
“Chei’ das conta no estrangeiro”
(“... um grande mentecapto!”)
que fez dinheiro cobrando três pactos e um tíquete
por um tiquin’ de trigo no fundo de um prato...

O PERFUME DAS PALAVRAS

Vejam só que coisa curiosa,
embora rime mais com a prosa,
a rosa fica tão formosa é na poesia...

Notem que uma pétala,
quieta lá em seu canto
é um acalanto pra qualquer tarde vazia.

Mas, num jardim, ela é efêmera... é fugaz;
num verso, a flor dura bem mais,
capaz de ter bem mais cartaz,
do que numa fotografia...

Não é minha intenção causar ciúme,
não tenho esse mau costume,
só defendo a minha cria...

E quem há de chamar de mentirosa,
caso a rima deixe a rosa
com mais cores, mais cheirosa?...

Quem ousaria?...




PINTURA ACADÊMICA

Dobrando a esquina,
logo após a capelinha,
já se avista a colina,
onde eu sonhava em morar
Sonhava em construir
uma bela casinha,
para morar com a menina
que eu sonhava em namorar.
Sonhava em aquecê-la
em noite de neblina,
mas, seguindo minha sina,
limitei-me a sonhar...
Dobrando a esquina,
quem não vê nem imagina,
há um rio com água cristalina,
onde eu sonhava em me banhar...
Banhar um banho
Que, nunca, em qualquer piscina...
Um banho que só termina
sob os raios do luar
Mas vendo a vida
pela fresta da cortina,
só um desenho em cartolina,
é o que eu tenho para me orgulhar...
RAIZ

Olha,
vai ser boa a colheita.
Se aquieta e aceita
o vento tomar conta
e o verde, ponta a ponta,
chove um pouco,
molha...
Aproveita o teu momento, é o teu sustento...
e a vida, sem ter hora
e a cem por cento,
é sempre o que se quis!

Colhe...
Apanha os frutos, preserva a raiz,
E, feliz: brinda, brinca, berra, abraça,
agradece a terra!!!
Acolhe,
contente, os louros da tua vitória,
Acrescente à paz nunca perder os sonhos,
pois sem sonhos vive-se só de memória...